
Entro pelo espaço
disfarço
caio no abismo
entre as ondas me refaço
me perco, porém, me acho
no vácuo denso de muitos risos.
“Aonde quer que eu vá eu descubro que um poeta esteve lá antes de mim”. Freud
SANTA CRUZ DE GOIÁS
Aos 282 anos que completa Santa Cruz de Goiás
Nossos olhos lacrimejam por não sabermos mais
O que vai acontecer à lagoa
Que lamenta desiludida
A sordidez com que roubam
Sua suavidade, sua vida
Um pedido de socorro, um grito destemido
Sua água se aniquila
Seu veio afunila,
O brilho esfuziante esvai, pouco a pouco
O povo, impotente, lamenta
A lagoa, soluça, esbraveja intranquila
Nas arvores, as Garças pousam
Mudam a paisagem
Vai e vem toda noite:
Um rito de passagem
Um branco esvoaçante contrasta
Com o marrom do aguapé, que se alastra
Lagoa da Saudade, é o nome
Que lhe deram os demais
Por ela saltitavam peixes
Jacarés, sucuris, outras espécies de animais
Ex bem patrimonial
Imaginário popular historia fenomenal
No aniversario de Santa Cruz de Goiás:
Pedimos:
Vamos construir uma barreira
Que impeça essa asneira
De destruir sem eira nem beira
O cartão mais colorido
De verde límpido transparente
Que só nós, santacruzenses
Sabemos o significado
É esse o presente que nos pede
Nossa Santa Cruz de Goiás
Em seus 282 anos de vida:
Revitalizem nossa lagoa
Para que o homem volte a usar a canoa
E o brilho seja recuperado
A água volte a fluir
O peixe, o jacaré, o sucuri
Ressurjam, voltem a viver.
PARABÉNS, SANTA CRUZ DE GOIÁS
Poema em homenagem a Santa Cruz, em seus 280 ANOS
HÁ 280 ANOS
NASCEU MINHA SANTA CRUZ ENTRE MATO, RIOS, SERRAS TROUXE AO MUNDO MUITA LUZ ATE HOJE NOS ENCANTA COM SEU BRILHO E BREJEIRICE TEM AINDA A CONTRADANÇA TEM O ALBERTO, TEM A NICE
A FOLIA, A CAVALHADA
O BATUQUE, A CAMINHADA TEM A BANDA QUE É UMA LIRA DO DIA OITO DE DEZEMBRO. CONCEIÇÃO É NOSSA SENHORA PROTETORA DA CIDADE HÁ ANOS DE NÓS CUIDA DESDE NOSSA TENRA IDADE
TIA ALEIXA A DOCEIRA,
LIBERATO, O CONGADEIRO NO CARRO DE BOI, O GALILEU PATRIARCA DOS TEIXEIRA GERSON NA FOLIA BENEDITO, O REBÔLO DEIXOU - NOS UM LEGADO. PERPETUA UMA HERANÇA
JAIME DO COIÓ, NA CONTRADANÇA
ALBERTÃO NAS CAVALHADAS PAULA, NA FOLIA DITO, NA CAMINHADA DIVINO ESPIRITO SANTO SEMPRE NOS CONDUZ ILUMINA A ESTRADA DAS FAMILIAS DE SANTA CRUZ.
SÃO TANTOS SOBRENOMES
NÃO VOU TODOS ENUMERAR TEIXEIRA DA MOTTA E PARAGUASSU RESOLVERAM SE JUNTAR MATTOS, LEITE, GOMES, PEDROSO REZENDE, RODRIGUES, SANTANA TODO MUNDO VIROU PARENTE QUE AMÁLGAMA BACANA!
TODO AQUELE QUE AQUI RESIDE
TODO AQUELE QUE AQUI NASCEU SEJA AMORIM, LOBO OU CARNEIRO FERREIRA, MARQUES, SOUZA, BRITO, SERRADOURADA, EU REPITO: VIEMOS TODOS DO PÓ SOMOS TODOS UM SÓ SOMOS SANTA CRUZ, GRAÇAS A DEUS!
MOUROS E CRISTÃOS
DAMAS OU MASCARADOS MUSICOS EM CANÇÃO EM SERENATA OU ALVORADA TODOS EM UNIÃO TODOS DE MÃOS DADAS CANTA EM EXALTAÇÃO PARABÉNS, MÃE AMADA!
PARABÉNS SANTA CRUZ PELOS SEUS 280 ANOS!
A obra Escrito por Fátima Paraguassú de Fátima Paraguassú foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada. Com base na obra disponível em fatimaparaguassu.zip.net. Permissões adicionais ao âmbito desta licença podem estar disponíveis em http://http//creativecommons.org/choose/?lang=pt. |
|
VOU TANGENDO
REBITEI A TANGA DE SANTA CRUZ,
ERA SOL FRESCO… PERGUNTARAM-ME: PRON’ CE VAI? DIRETO E RETO, DEITEI O CABELO, A CAPELA DO ZOE PESADA PELA TRISTEZA: CHOREI! OS PÉS UMA PRECATA ORNANDO, PARECENDO GALINHA DO PÉ QUEIMADO: Ô VIDA!…EXCLAMEI! ANDEI, ANDEI… HOJE COM ALGUM REQUEIJÃO DE GARUPA NO ROSTO, MUITA ALEGRIA, POUCO DESGOSTO… DOU UMA CUBADA NO PASSADO… TEMPO CUSTOSO! TEMPO SAGRADO! SUBO A SERRA, VEZ EM QUANDO… SANTA CRUZ MEU LAR ETERNO! CIDADE CHIQUE SEM TANTO!… TOMO PIÃO NA UNHA COM O DESCASO DE UM OU OUTRO CONTERRÂNEO. LOGO ME REFAÇO! ESQUEÇO O REGAÇO! MINHA TERRA! MINHA MUSA! NÃO PERTENÇO AO TIME QUE SÓ TE USA… SEM QUEIXA, SUBO O BECO DA LÊXA… ESPIO A PAISAGEM! IMAGINO MINHA MORADA DEFINITIVA, QUANDO VIRAR O PÉ PRO SERENO. A obra Escrito por Fátima Paraguassú de Fátima Paraguassú foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada. Com base na obra disponível em fatimaparaguassu.zip.net. Permissões adicionais ao âmbito desta licença podem estar disponíveis em http://http//creativecommons.org/choose/?lang=pt. |
TREM GOIANO
Trem de comer,
Trem de beber,
Trem de calçar.
É tanto trem Que o goiano tem Que num dá pra falá. Se tem dívida É um trem que ta deveno. Se sente dor É um trem que ta doeno. Diz trem Até quando se trata de alguém. Se ta feliz, o trem ta bão. Se ta triste, trem ta danado.
Mas, se acha graça de
Alguma coisa: ri, e diz: Eita trem engraçado! A obra Escrito por Fátima Paraguassú de Fátima Paraguassú foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada. Com base na obra disponível em fatimaparaguassu.zip.net. Permissões adicionais ao âmbito desta licença podem estar disponíveis em http://http//creativecommons.org/choose/?lang=pt. |
ELOGIO ÄS AVESSAS
Conheci um camarada, Bom sujeito, inteligente, Dá aos pobres tanta coisa, Tira do bolso e fica contente…
Quando vê o mendigo sorrindo,
Vai andando e distribuindo, Tudo que tem em mente
O sujeito ganhou a eleição
Às custas de sinceridade, O mais admirado, Por toda população. É um politico de sorte, Porque a todos quer bem, Ajuda dia e noite, Não discrimina ninguém!
Nunca rouba,
Não aceita propina, Fala só a verdade… Ao erro nunca inclina,
Administra com imparcialidade,
Não pratica maldade, Só para o bem, opina.
Viva o Brasil de políticos honestos,
País das maravilhas, País qua admira, Os mandatários que tem…
Governo transparente,
Nenhuma proposta indecente, Oferecem a ninguém.
Aqui em Goiás, é grande
A onda de que são imperfeitos; É mentira…todos os prefeitos do Estado, são do bem…
Não roubam, não aceitam propina,
Nunca tira do pobre, um vintém
É com “admiração” que falo,
Sou eleitora, nunca calo!
Cobro de quem votei, a transparência…
Tenho fé, paciência, e acredito, Todos nossos políticos, Continuarão como são: Honestos, amigos, Da riqueza, abstém. |
CORRUPÇÃO
Termo estranho!
De boca em boca ele anda Tanta tramóia comanda, Não sei bem o seu tamanho. Fala-se dele no correio, no corredor, No banco, na repartição, Na loja, no salão.
No congresso, nem paga ingresso,
Entra e sai, quando quer, Todo político tem acesso.
Corrupção… Corre o pição…
Não sei ao certo seu nome. É homem, assombração? É tão falado esse sujeito! A ele todo meu respeito! Que companheirão!…
Este senhor de quem falo
Hoje comanda nosso país. É ele um presidente? Ou um conselheiro somente? Em tudo, mete o nariz.
Eita sujeito famoso!
Ou será um travesti? Meretriz? Garota de programa? Pois, a tantos faz feliz!
Nada sei de tudo que sei,
Só sei que pouco sei Deste fulano, Cicrano, beltrano… Um furacão que causa dano Maior que um tsunami.
Merece aplausos,
Medalha, condecoração. É um corajoso! Espalha migalha de pão na mesa do desafortunado, Na mesa do abastado… Espalha luxo, ostentação.
Ao pobre, sem a cedilha dá a maior força;
Joga pra cima, grita: - avante! Meu irmão! Sobe a ladeira, pega a mala, com ela escala os degraus da salvação. Ajude a fortalecer nosso partido Enche nosso saco de suor sofrido.
Cheio de esperança na melhora de vida,
Sem entender bem o discurso enrolado, Sem um dicionário que decifra o que um político fala; O eleitor, coitado! Enche aquela mala, Com imposto, que lhe é imposto, Com míseros trocados, repassados num mínimo salário… Enche o saco do salafrário.
Os dias vão passando,
Os trouxas só levando. A esperança ruindo…
A conclusão que se chega,
É que a cédula era vesga Na hora da eleição.
Com o traseiro
em chama O cidadão só reclama da nefasta posição.
De gato e sapato foi feito o pacato.
Jogado de quatro, de lado, de costas, Papai e mamãe, sessenta e nove vezes no ano. De hora em hora, a coisa piora… Quanta humilhação!
Amedrontado, infeliz, o violentado apenas diz:
-Por favor, deputado, senador, meu companheirão!… Aceito que me invada, aceito que me exploda. Estrangulou o meu pescoço com a força sem cedilha, Enfartou-me a esperança com a desilusão. Poupe-me o resto, Seja uma vez correto: Não tire a cedilha do pição! |
ASSIM NASCEU O CARNAVAL
Anos antes de Cristo,
Homem, mulher e criança Munidos de esperança No verão se reuniam: Festança, corpo pintado E máscara no rosto, Espantavam o encosto Para a colheita não desandar. Foi esta prática antiga A primeira que se diga Expressão carnavalesca, Esta festa popular.
Deusa íris da harmonia
Pelo Egito consagrada, A ingênua deusa do céu Que também era do mar Bons augúrios transmitia Para a terra equilibrar. Terra e céu entrelaçados Por sete cores ligados, Pelo arco, Íris descia Sobre água caminhava A todo canto do mundo Pelo vento viajava.
Dionísio deus do vinho,
Pela Ásia Menor vagou… Por um sacerdote guiado Até à Grécia chegou… Onde se tornou sagrado! Ensinou cultivar parreira, Boa safra, primavera, Vinho, sexo, alegria… Surgia uma nova era
O deus da agricultura
Saturno dos romanos Equivalia ao Grego Cronos: O representante do tempo. A orgia carnavalesca Sete dias durava Acontecia em dezembro. Escravos alforriados Da carne a consolação Carros navais pelas ruas… Euforia, mulheres nuas…
Momo, deus do delírio
Filho do sono e da noite Figura rechonchuda Sarcástico e zombeteiro Irreverente e faceiro Dos deuses debochava. Expulso do Olimpo A casa das divindades À terra despachado, Na terra coroado Do carnaval era o rei.
O entrudo individualista
Grosseiro e imundo Antes do século XVIII, Ao Brasil, furibundo Tão galante quanto afoito Violenta brincadeira Em nosso meio entrou. Nos salões, ou nas ruas Na Quinta da Boa Vista Nos jardins da nobreza Da monarquia à raia miúda Mascarados, galhofeiros: Uma grande chafurda Água, farinha, limão de cheiro… Folguedo violento. Pereira Passos, o prefeito Em sua reforma urbana Coibiu, fez declinar.
A Igreja Católica
Do carnaval apropriou Carne vale: carnaval Cristianismo, ano lunar Tríduo carnavalesco: Liberalidade total De domingo a terça, Só festa! Quarta: cinza na testa! Quaresma: contrição Período enfadonho: Amofinação…
A classe média imitou Veneza
Fez sua festa coletiva. Do folclore baiano: Os “ranchos” da classe baixa. Ranchos, cordões, blocos Foliões mascarados, Provocadores, De tudo cantavam: Folclore, fado, trecho De ópera adaptado… Satirizavam personalidades, O mestre com um apito Os tambores comandava. A Maestrina Chiquinha “Pianeira” alcunhada Compôs uma marchinha A ela encomendada Marcha rancho “abre alas” “Rosa de Ouro quer passar” Andante, compassado Refrão eternizado.
De Salvador para o Rio
Mestras da arte do samba Tia Ciata, Veridiana… Em suas casas recebiam Sambistas tradicionais. O acolhimento das baianas Nos pagodes e saraus Inspirava compositores Oralidade repassada.
Do Estácio, Ismael Silva
A ‘Deixa falar’ criou Pensava em ensinar samba Muito samba semear… A festa continou: Confete, serpentina Bumbo, zabumba, tambor… Pierrô Colombina Zé Pereira Marcha rancho… Samba enredo
Máscaras,
Brejeiros bailes de salão, Carnaval dançado: Verdadeiramente popular, Tudo isso arrefeceu. Hoje, carnaval para ser visto, Pela televisão. Trio elétrico, micareta, Carná Goiânia, abadá… Cartola e Ary Barroso: Nem pensar! O “ado do quadrado” O som auto motivo… Tudo é motivo Para hoje “festejar”!
Do samba lá do morro
À faceirice dos bambas Do “malandro” carioca Parasamba exaltação Do glamour das escolas À corrupção! Do Brasil para o mundo Carnaval exportação! |

Nenhum comentário:
Postar um comentário